AENFER e AEEFL na TV Rio Câmara.

Os presidentes da Associação de Engenheiros Ferroviários, AENFER Luiz Lourenço de Oliveira e da Associação dos Engenheiros da Estrada de Ferro Leopoldina, AEEFL Almir Ferreira Gaspar participaram no dia 16 de agosto do programa “Acontece no Rio Especial” da TV Câmara do Rio de Janeiro, conduzido pelas jornalistas Silvia Serra e Luciana Cabizieri.

Eles foram convidados para falar sobre as inovações e investimentos nos setores das ferrovias e também nas rodovias.

O presidente da AENFER engenheiro Luiz Lourenço deu sua opinião sobre o novo programa do governo anunciado essa semana que pretende investir 113 bilhões de reais em concessões de ferrovia e rodovia. Ele louvou a iniciativa em alavancar as ferrovias e disse que não há outro caminho senão o aumento do setor ferroviário, tanto de carga como de passageiro.

Embora seja a favor do plano, Luiz Lourenço ponderou alguns pontos e acha que devemos esperar os resultados acontecerem e de que forma será trabalhada essa concessão.

Em relação ao Rio de Janeiro, o presidente da AEEFL engenheiro Almir Gaspar entende que esses investimentos já deveriam ter começado pelo menos nos últimos 20 anos. Ele considera que pela falta de investimentos por parte do governo, houve a necessidade de abrir processo de concessão, no entanto, o setor privado deveria ter investido mais em toda a região que utiliza o transporte de trens de passageiros. Ele acredita que a demanda seria muito maior em relação às décadas de 1970 e 1980.

Almir Gaspar lembrou que a criação da Empresa de Planejamento e Logística – EPL tem a mesma finalidade do antigo Geipot e espera que essa empresa coordene todo o planejamento que é necessário para o desenvolvimento do país, que atue com mais eficiência e menos burocracia no sentido de alavancar a indústria ferroviária.

O engenheiro salientou a importância da interligação dos setores ferroviário e rodoviário como transporte urbano. Disse que é fundamental o ônibus fazer o fluxo para o trem e metrô, não só pelos grandes eventos que vamos ter na capital, mas para a população que utiliza os transportes coletivos.

O último bloco do programa foi sobre o seminário Transtrilhos, o transporte sobre trilhos que o Rio precisa, evento realizado nos dias 08, 09 e 10 de agosto no Clube de Engenharia promovido pela AENFER e que reuniu um grande número de participantes.

Luiz Lourenço falou dos três temas abordados durante o seminário: Transporte sustentável e mobilidade urbana no primeiro dia; Novos cenários Fluminenses e a logística do transporte de carga no segundo dia e no último dia O futuro do transporte interurbano de médio e longo percurso. Ele disse que a ideia é trazer uma resposta para o público de tudo que foi abordado por especialistas no assunto e espera que as autoridades responsáveis pelo setor de transporte ouçam as opiniões de engenheiros preparados, professores que trabalham há anos nessa área e que podem contribuir para um melhor planejamento urbano.

O objetivo do seminário era mover, despertar os ferroviários e o Rio de Janeiro para a importância da ferrovia. Acreditamos que conseguimos pelo interesse e participação do público durante os três dias do seminário, finalizou o presidente da AENFER.

O programa “Acontece no Rio Especial” da TV Câmara vai ao ar pelo canal 12 da Net na primeira semana de setembro.


A história do trem no Brasil


Presidente da Valec deixa comando da estatal

A reviravolta que o governo decidiu promover no setor ferroviário terá que incluir, agora, uma reformulação na diretoria da Valec, estatal vinculada ao Ministério dos Transportes, responsável pelos empreendimentos do governo neste setor. O Valor apurou que o atual presidente da Valec, José Eduardo Castello, decidiu deixar o cargo. Por meio de uma carta entregue ao ministro dos Transportes, Paulo Passos, Castello pediu formalmente o seu desligamento do comando da estatal, em caráter irrevogável.

Engenheiro civil com 30 anos de experiência no setor ferroviário, Castello chegou ao cargo há quase um ano, para substituir José Francisco das Neves, o chamado “Juquinha”, que caiu por conta dos escândalos de corrupção que envolveram a Pasta dos Transportes no ano passado e que, neste ano, chegou a ser detido pela Polícia Federal, sob acusações de enriquecimento ilícito.

Castello assumiu a Valec com a missão de reorganizar a estatal e de tentar retomar o ritmo de obras que estavam absolutamente paralisadas, por conta de uma infinidade de irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Em termos práticos, não conseguiu soltar o freio de projetos estratégicos para o país, como a Ferrovia Norte-Sul e a Ferrovia Oeste-Leste. Em vez de administrar obras, passou a maior parte de seu tempo tentando responder uma enxurrada de questionamentos que vinham da Polícia Federal e dos órgãos de controle. Procurada, a Valec informou que não iria se pronunciar sobre o assunto.

José Eduardo Castello não sai sozinho. O Valor apurou que o atual diretor de planejamento da Valec, Josias Cavalcanti, está cotado para assumir uma diretoria na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), provavelmente numa área atrelada às concessões ferroviárias preparadas pelo governo. A diretora de engenharia da estatal, Célia Rodrigues, também vai deixar o cargo por motivos pessoais. Isso significa que, dos quatro postos de diretoria da Valec, apenas a diretoria administrativa e financeira, Vera Lúcia de Assis Campos, deverá permanecer, já que a vaga de diretor de operações, criada recentemente, ainda não foi preenchida.

Parte das razões que levaram José Eduardo Castello a pedir seu desligamento do comando da estatal está atrelada ao salário que é pago pelo governo. O presidente da Valec recebe R$ 15 mil por mês. Agora, ele deve voltar ao Rio, onde vive sua família. Antes de chegar à Valec, Castello esteve à frente da subsecretária de Fazenda e Planejamento do município de Duque de Caxias, no Estado carioca.

O esvaziamento da diretoria da Valec neste momento deverá abrir espaço para uma boa briga política para ocupar o comando da estatal, apesar do governo insistir na tese de que tem privilegiado o perfil técnico de servidores. A Valec ganhou papel absolutamente estratégico dentro do pacote de concessões de ferrovias anunciado no mês passado pelo governo. O plano da presidente Dilma Rousseff reserva uma função nobre para a estatal, frente ao programa que prevê aporte de R$ 91 bilhões para construção de 10 mil km de novas estradas de ferro. A ideia é que, em vez de construir ferrovias, a Valec passe a ser uma administradora dessa malha. Quando as concessionárias concluírem a construção dos trilhos, a estatal vai comprar dessas empresas a capacidade de tráfego de transporte de carga das estradas de ferro para, então, revendê-las a companhias interessadas em transportar seus produtos.

A mudança deverá ter impacto direto, inclusive, dentro das diretorias da estatal. Segundo uma fonte do governo, a tendência é que a área de engenharia da estatal seja reduzida, para que uma divisão operacional ganhe mais relevância. De maneira prática, a Valec passará a ser o órgão executor de políticas públicas fiscalizadas pela ANTT e definidas pelo Ministério dos Transportes e pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL), criada recentemente pelo governo.

Quando assumiu o comando da Valec em outubro do ano passado, José Eduardo Castello afirmou que, como gestor público, enxergava na Valec uma organização com um nível gerencial muito pobre. Agora, com a saída de seus diretores, a estatal passa a ser uma companhia com nível gerencial esvaziado. Segundo uma fonte do setor, o ministro Paulo Passos já está em busca de novos nomes para a Valec.

Fonte: Valor Econômico